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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O mistério do Cristo Solar

O mistério do Cristo Solar




Desde tempos remotos associa-se o Cristo como representante manifesto da Fonte, ou Deus, com a condição solar. Mas, como isso de fato ocorre? Essa associação é coerente?

No artigo anterior, O Sol Oculto, ficou explicado acerca da relevância espiritual de quatro sóis: 1) a representação solar na face da Terra, o Avatar, na figura de um humano, ou super-humano, relativo ao Mundo da Criatura, Material ou Físico 2) o sol visível no céu em torno do qual giram os planetas e que é a representação evidente da existência divina, relativo ao Mundo da Formação  3) o sol de nossa região galáctica, a estrela Sírius, relativo ao Mundo da Criação e, 4) o Sol Central de nossa galáxia, que é de fato o Sol Oculto, um Buraco Negro na constelação de Sagitário, relativo ao Mundo da Emanação.

O Sol representa sempre o centro a partir do qual emana e se mantém toda a vida e a criação. O Sol é também símbolo eterno de amor, justiça, saúde, vida e da mais elevada espiritualidade.

Podemos considerar o conceito da Fonte, ou “Deus”, como é conhecido, como: 1) Incognoscível, 2) Imanifesto e 3) Manifesto.

A concepção como Incognoscível o próprio nome já o diz, não conseguimos sequer conceber, imaginar, pensar, pois foge de nossa capacidade de compreensão. Poderíamos associar essa concepção com o número zero.

A condição de Imanifesto refere-se à Sua realidade antes de qualquer existência ou manifestação, de sua pré-existência, antes do Big-Bang ou Fiat Lux, na fase em que a Bíblia se refere quando afirma que “"No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas." Gênesis, 1, 1 e 2. Esse é um estágio preparatório da Criação no qual a expressão “o Espírito de Deus” é grafado em hebraico como “Ruach Elohiym” que por sua vez é relacionado pelos estudiosos ao “Ungido”, ou Cristo. No hebraico bíblico “Ruach” significa “vento” e pode ser entendido como “sopro divino” ou “pneuma” ou ainda “respiração”. Poderíamos associar essa concepção com o número um, pois é a Origem ou Princípio.


A condição de Manifesto ocorre na sequencia bíblica: “"Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz foi feita." Gênesis, 1, 3. Em João 1 encontramos que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. João 1:1-4 Essa é a passagem que evidencia o chamado “Fiat Lux” e sua associação com a manifestação da Fonte, ou Deus, e, ainda, com a vida e a luz “principal” para toda a Criação. Poderíamos associar essa concepção com o número dois, visto que a Criação é dual sempre (para que haja luz é necessário a presença, em iguais condições, do positivo e do negativo, para que haja vida é necessária a presença, em iguais condições, do masculino e do feminino, as forças elétrica e magnética são inseparáveis, etc.).

Sabe-se que o mistério central da divindade, e, por conseguinte do Cristo, é o Amor. Essa palavra parece ter perdido seu sentido e valor, principalmente como cerne das mais diversas religiões que chegam a matar, a perseguir, a julgar e aplicar a intolerância e o ódio em nome de uma suposta Fonte ou divindade amorosa.


O amor é a força de coesão, de união, que a tudo integra e harmoniza, que então participa do processo de juntar partículas esparsas até ir resultando em uma forma ou vida distinta. O amor é o fator essencial para a individuação, ou seja, do processo que se origina na massa sem forma e se conclui na diferenciação do ser que se torna imagem e semelhança de sua Origem. O amor é como que o “cimento” confere solidez e que mantém agrupados os elementos do concreto. A construção de uma casa ou edifício seria possível sem o uso do cimento, mas não permaneceria de pé por muito tempo. O que confere durabilidade à construção é o cimento. O que confere eternidade à vida é o amor.

É por isso que se existisse alguma força ou entidade que supostamente pudesse ser o poderoso antagônico da Fonte, ou Deus, na verdade seria a poeira cósmica, nada unificada, personalizada, individualizada ou mesmo poderosa.

As Leis Cósmicas que emanam do Princípio são perfeitas, eternas e transpassam planos chegando até a condição mais densa e material possível. Assim, a Lei Maior que é o Amor também se faz presente no plano físico. O astrólogo, alquimista, filósofo, teólogo e físico Isaac Newton descreveu em sua obra “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica”, publicada em 1687, sua “Lei da Gravitação Universal”. Essa é a versão científica, imperfeita e matemática para o Amor.


Segundo essa Lei a Gravitação Universal é uma força fundamental de atração que age entre todos os objetos por causa de suas massas, isto é, a quantidade de matéria de que são constituídos. A gravitação mantém o universo unido. Por exemplo, ela mantém juntos os gases quentes no sol e faz os planetas permanecerem em suas órbitas. Matematicamente expressa-se assim: “duas partículas quaisquer do Universo se atraem gravitacionalmente por meio de uma força que é diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa”.

Inicialmente então havia somente partículas atômicas, originada com o Fiat Lux, com a explosão do Big Bang que emanou matéria disforme em todos os sentidos. Didática e simplistamente falando, a força de atração do amor ou gravitação fez com que partículas atraíssem outras partículas formando então, ao longo de muito tempo, corpúsculos, asteroides e corpos maiores como planetas (Mundo Físico, Material ou da Criatura).

Em grandes regiões cósmicas de menor densidade, ou seja, são mais sutis e que tem a presença predominante de gases a força da gravidade, ou do amor, faz com que essas moléculas se atraiam umas às outras. A força resultante da pressão resultante da atração de grandes massas gasosas faz a temperatura aumentar fundindo átomos de hidrogênio transformando-os em hélio (processo de fusão nuclear). Nesse processo dois prótons (do hidrogênio) se fundem em uma partícula alfa (um núcleo de hélio), liberando dois pósitrons, dois neutrinos e energia. Os isótopos do hidrogênio são o deutério (D), que tem um próton e um nêutron em seu núcleo, e o trítio (T) que possui um próton e dois nêutrons.

Acontece assim: Inicia-se na fusão de dois prótons, com formação de um núcleo de deutério (dêuteron), um nêutron (responsável pela liberação de energia) e um elétron. Posteriormente, esse dêuteron formado se funde com um próton, originando o hélio-3. Esse hélio-3 realiza uma fusão com outro átomo de hélio-3 e dá origem ao hélio-4 e a dois prótons. E assim sucessivamente, com a formação desses e de outros elementos. Essas são reações em cadeia, ou seja, os produtos formados iniciam novas reações e podem continuar realizando fusões com outros núcleos. Esse processo leva dezenas de milhões de anos terrestres. Assim, a pressão aumenta a temperatura e a alta temperatura de um gás instável faz com que o conjunto entre em combustão. Está formada então uma estrela ou Sol (nosso Sol ou Sírius, Mundo da Criação e Mundo da Formação). O Sol transforma, em seu núcleo, várias centenas de milhões de toneladas de hélio, a cada segundo. Por isso ele é muito mais rico em hidrogênio e hélio do que a Terra.

Até aqui parece evidente a correlação entre o amor e a Lei da Gravitação Universal, pois ambos unem tudo e todos ao ponto de poder resultar na Iluminação física ou espiritual de uma criatura. Ou seja, uma estrela ou sol é a condensação de muita energia, poder e da melhor e mais sutil matéria existente. Um Cristo é o resultado do maior e mais puro e imenso amor que pode existir.

Pode parecer antagônico afirmar que o Buraco Negro seja um sol espiritual visto que um sol emana luz e calor e do Buraco Negro Nada é emanado. Mas, o princípio é o mesmo, a força do amor ou da gravitação universal.

Um Buraco Negro (Mundo da Emanação ou Divino) surge quando as forças de atração interna (amor ou gravitacional) entre seus átomos componentes se desequilibram com as forças de expulsão resultante das explosões (uma atrai e a outra irradia). É interessante observar que quando mais uma estrela explode emanando luz, calor e vida, seu núcleo também recebe o mesmo impulso ou força no sentido contrário (como se você quiser empurrar um carro e ao mesmo tempo estiver usando patins nos pés – Lei Física da ação e reação – Terceira Lei de Newton). Ou seja, quando mais uma estrela doa luz, calor e vida, mais força ela recebe de volta (lembra a famosa frase de São Francisco: “É dando que se recebe”).


Quando então a força de atração interna, somada com a força de reação das explosões são maiores do que a força de expansão e explosão da estrela diz-se que a estrela ou sol se colapsa em si mesma. Então tudo que compõe a estrela ou sol irá se fundir, o que tinha um tamanho imenso se reduz muitíssimo, formando uma massa altamente densa e com uma força gravitacional terrível. Algo como o equivalente a transformar a maior montanha da Terra em uma borboleta, mas mantendo o peso da montanha. Sua força gravitacional então, ou amor, será tanta, que atrairá inclusive partículas subatômicas como o fóton. Ou seja, nem a luz sairá mais desse corpo celeste, ele passa então a ser um poderoso ponto de atração de tudo que possa ser matéria, por mais sutil que seja. Daí o nome de “buraco negro”, pois não se pode ver nada dele.


Interessante observar que conforme a Teoria da Relatividade de Einstein quanto maior a massa de um corpo maior a força de gravidade (ou amor aqui para nós) e isso faz com que haja uma maior deformação do espaço-tempo. Ou seja, quando mais próximos à uma estrela e principalmente de um Buraco Negro menos as nossas conhecidas e triviais leis da Física se aplicam. Esotericamente falando, é o mesmo que transcender Saturno, regente do tempo e do espaço, grandes limites e máximo objetivo espiritual de nossa realidade. Ao mesmo tempo, transcender o tempo e o espaço é o mesmo que atingir a condição de divindade, ou seja, atingir a eternidade e o infinito.

Os buracos negros eram um grande mistério sugerido apenas pelos cálculos físicos mais avançados. Desde que foram teorizados pela primeira vez, em 1916, pelo astrofísico alemão Karl Schwarzschild, os buracos negros fascinam os cientistas. Se não há irradiação de luz como então se detectar um Buraco Negro? Simples, a sucção de matéria e gases que ele realiza deixa uma trilha fora de seu horizonte de evento (limite de sua poderosa força gravitacional). Além disso, os gases atraídos por sua poderosa força gravitacional pela fricção, deixam um rastro que pode ser detectado por câmeras com lentes de raio X, ultravioleta e também de rádio.

No centro de nossa galáxia, a Via Láctea, existe um Buraco Negro, o Sagitarius A (tem cerca de 4 a 5 milhões de vezes a massa do nosso sol), que é muitíssimo grande e supermassivo, mas existem outras centenas de Buracos Negros em nossa própria galáxia e também em outras.

Há uma teoria científica que afirma que um Buraco Negro, ou Sol Oculto, é um grande e poderoso Portal para outro mundo ou dimensão e que do outro lado existe um Quasar.


Descobertos em 1963, os quasares são os maiores emissores de energia do Universo. Um único quasar emite entre 100 e 1000 vezes mais luz que uma galáxia inteira com cem bilhões de estrelas.  Eles estão entre os objetos mais luminosos, poderosos e energéticos no Universo e podem emitir até milhares de vezes a energia emitida pela Via Láctea. Outra teoria afirma que como a luz não pode escapar do buraco negro supermassivo no centro dos quasares, a energia que escapa está sendo gerada do lado de fora do horizonte de eventos pelo estresse gravitacional e intensa fricção no material que está caindo.

Ou seja, um Quasar emana partículas cósmicas das quais pode ocorrer um novo ciclo de formação de corpos celestes, asteroides, planetas, sóis e outros buracos negros.

O que rápida e superficialmente se abordou nesse texto é conhecido cientificamente como “pulsação do universo” e no hinduísmo por “respiração de Brahma”.



Nosso objetivo foi demonstrar como a Lei da Gravitação Universal e a Lei Cósmica do Amor, idealizada na figura do Cristo Cósmico, em sua essência e efeito, são o mesmo mistério ou Força da Criação. E que o Sol Oculto é a origem e fim máximo do conceito de Cristo. 



Juarez de Fausto Prestupa
Academia Ciência Estelar
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