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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O Amor como fator de desenvolvimento

O Amor como fator de desenvolvimento


Muito mais do que uma expressão bonita e politicamente correta, o amor é explicado pela Astrologia como um importante processo para a ressignificação psíquica da vida do indivíduo e sua realização

Pode parecer anacrônico se posicionar a favor do amor, em tese um conceito aparentemente falido, que está com seus dias contados. Principalmente se considerarmos que estamos na alvorada da Era de Aquários, rumo à liberdade e à integração de nossos costumes com a prática da “ficância” (me perdoem o neologismo). Nada contra a “ficância”, ou seja, a prática de se unir temporária ou momentaneamente à outra pessoa para um namoro mais íntimo, porém sem compromisso ou vínculo maior. Ao contrário, a meu ver a atual prática adolescente de se “ficar” me parece salutar no sentido da pessoa se permitir experimentar conhecer o outro e a si mesma de forma mais profunda e intensa, mas sem a obrigação de vínculo ou permanência. Afinal, o que é um namoro senão um “teste” de compatibilidade? Por que exigir um juramento eterno de união entre duas pessoas que não se conhecem e nem sabem se de fato serão felizes juntos?


Mas, por “amor” aqui não me refiro ao simulacro, a um simples e vazio jogo de palavras. Amor aqui é a decisão de se unir a outra pessoa porque se quer e se sente uma profunda identificação com o outro, não porque é necessário, porque a família quer, porque é melhor para a sociedade, porque se busca segurança ou realização financeira ou social. Hoje usa-se a palavra amor com um forte egoísmo escondido, buscando-se apenas o próprio prazer ou satisfação. O verdadeiro amor é doação, entrega, é o oposto do que muitos apregoam.

Costumo explicar para as pessoas que para se encontrar o outro é necessário primeiro que se encontrar. Para saber quem ou o que nos dará prazer ou nos fará felizes se faz necessário que descubramos como nós mesmos podemos nos proporcionar prazer e sermos felizes independentemente de com quem estejamos. Só podemos dar o que temos e uma relação a dois deve ser pautada pela troca justa, senão isso é simbiose, um processo patológico sutil de dependência, prisão e estancamento evolutivo para as duas pessoas envolvidas.


Não se pode esperar “um príncipe encantado” se não se é “uma princesa encantada”. Não se pode cobrar ou esperar que o outro adivinhe o que gostamos, o que nos faz feliz, o que nos realiza, o que nos dá prazer. Por outro lado, também não é justo esperar só receber na relação a dois, se faz importante também contribuir efetivamente com o prazer, a alegria, a realização e a felicidade do parceiro.

Na Ciência Estelar conhecida como “Astrologia” podemos compreender como o amor é importante em termos evolutivos. Mas, antes de abordarmos o amor em si é importante que abordemos a descoberta de si mesmo.

É hábito aos afeitos da Astrologia perguntar aos outros “qual é o seu signo”, afinal saber o signo da outra pessoa nos traz muito mais informações sobre ela do que seu nome. Mas, por trás da pergunta “qual é o seu signo” está a pergunta técnica “em seu Mapa Astral em que signo está o planeta Sol”?


Costumo explicar que o Sol em um Mapa Astral é como o motor de um carro, seu verdadeiro “coração”, enquanto o signo Ascendente representaria a lataria do carro, sua aparência externa. Astrologicamente, o Sol em um Mapa Astral representa a energia da pessoa, uma síntese de sua vida e características mais importantes. Mais além, o Sol representa também sua saúde, seu amor, seu brilho pessoal, sua felicidade, sua prosperidade, sua realização e sua verdade mais essencial e vital. Quando o Sol (realização, amor, felicidade, prosperidade) não tem espaço em uma vida atropelada pelas conveniências sociais, dos dogmas, preconceitos, costumes, tradições, ideologias, etc. então ocorre o processo de morte. Essa morte pode ser em vida, com a anulação da pessoa por fatores estranhos a si mesma, e isso ao longo do tempo vai se somatizando na forma de doenças até levar ao óbito.


O Sol principia a brilhar com mais força na fase da adolescência, regida pelo signo de Leão. Nesse período é quando descobrimos o que temos de melhor, olhando para nós mesmos, nos descobrindo enquanto indivíduos originais, autênticos e diferentes dos outros. Então, é quando percebemos que somos bons em alguma coisa, ficamos eufóricos com isso e queremos mostrar (brilhar) para os amigos o que de melhor temos, o que fazemos de melhor, buscando assim nos destacar em nosso grupo. É o processo de amar a si mesmo. Ao passo e à proporção que descobrimos quem somos, o que temos de melhor e então o que nos é mais importante na vida, tendemos a procurar a “nossa turma”, ou seja, pessoas com valores, hábitos, costumes ou habilidades semelhantes às nossas ou que as valoriza e aprova.

Assim, na adolescência, o amor por si mesmo, pelo que nos é essencial, nos leva a também valorizar a essência de outras pessoas semelhantes. Essência é vida e é amor. Se uma pessoa não se ama, não valoriza a sua essência, como pode esperar que outra pessoa vá amá-la ou amar a sua essência? Se uma pessoa não conhece sua essência como esperar a outra vá adivinhar isso? Se uma pessoa não sabe qual a sua essência como irá se aproximar de um grupo semelhante e nele encontrar alguém com maior afinidade íntima? Se não encontra afinidade íntima como pode chegar à realização íntima?


Porém, o Sol no Mapa Astral não representa apenas o indivíduo e sua essência. Ele representa a figura paterna também, como o indivíduo percebeu o pai e essa imagem ficou gravada em sua alma. A relação que a pessoa enquanto criança teve com o pai irá representar também o adulto que ela tende a ser, como ela verá a si mesma, sua vida, o amor e sua possível realização na vida, seja no âmbito social, profissional ou espiritual. A relação com a figura paternal (que pode ser representada por outra figura que não o pai biológico) é determinante para a vida da pessoa. Mais que isso, condicionará sua futura relação com figuras de poder e autoridade, tais como chefes, policiais, juízes, políticos, etc.. O psicanalista Freud abordou em seu trabalho a importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Existem também livros best-sellers abordando a importância da figura do pai no sucesso dos filhos (como “Pais brilhantes Filhos brilhantes”, de Augusto Cury). Até mesmo um dos mandamentos mosaicos é “honrar pai e mãe” evidenciando que esse é um conhecimento ou verdade atemporal. Ora, quando um jovem tem problemas de relacionamento com o pai, isso é sinal de futuros problemas com autoridades, com a vida e com sua espiritualidade.


Uma importante e nem sempre lembrada simbologia do Sol é que esse astro, na Ciência Estelar, representa também nada menos do que Deus. Por isso, ser pai não é um ato biológico inadvertido. Ser pai é também ser um pouco Deus, dar vida a um ser, não só gerar uma vida biológica, mas também uma vida (equilibrada e brilhante) psíquica de uma pessoa e ser sua referência para a realização existencial. A relação que a pessoa tem com o pai refletirá na relação que ela terá futuramente com o conceito, imagem e referência divina.

A esse ponto imagino que o leitor esteja refletindo sobre como foi ou é sua relação com seu pai. Evidentemente somos todos imperfeitos e repletos de limitações, falhas e imperfeições. Então a pessoa pensa: meu pai não foi o pai ideal, minha relação não foi a ideal, então estou destinado a não me realizar, a não ser feliz no amor, a não merecer o amor de Deus? Costumo explicar que via de regra todo pai tende a buscar dar o que tem de melhor para seus filhos. Por mais imperfeito, ruim ou inadequado que ele seja ou tenha sido, muito provavelmente ele deu a seus filhos mais amor ou amor de melhor qualidade que ele próprio recebeu. Nesse ponto costumo convidar a pessoa a conversar com seu pai ou então com outras pessoas, perguntando sobre o passado dele, a criação que ele teve. Aí então poderá compreender porque ele é como é e o que lhe oferece.

Agora poderá surgir na mente do leitor a importantíssima pergunta “existe uma forma de se mudar ou melhorar a figura paterna ou solar na vida de uma pessoa”? A resposta, felizmente, é SIM, é possível se mudar ou melhorar a figura paterna ou solar na vida de uma pessoa. Mudando-se isso muda-se a vida dela como um todo, suas possibilidades de realização e de felicidade. A pergunta seguinte então é “COMO”?


Igualmente como se faz na Homeopatia em que “semelhante cura semelhante”, é justamente na representação do Sol, do pai, de Deus, que encontraremos a “cura” ou melhora dessa significação. Mais precisamente, é no AMOR, no verdadeiro amor, que podemos encontrar a cura para o desamor. Vale ressaltar aqui que o que comumente as pessoas chamam de “MAL” é na verdade desamor, é uma reação inconsciente atávica, que pode se tornar um hábito ou mesmo parte do caráter de uma pessoa, de um grito desesperado pela atenção, pelo respeito, pelo amor de alguém. Por isso o verdadeiro amor é condescendente, ele percebe que a maldade implora por amor, atenção, carinho, afeto, respeito, apoio.

Por outro lado, o amor é a única força capaz de mudar de fato as coisas, mudando a essência de uma pessoa. Mais do que uma palavra bonita e politicamente correta, o verdadeiro amor deve ser buscado e encontrado em nós mesmos, em nosso próprio Sol. Em todos nós existe uma pequena fagulha divina, uma pequena chispa de Luz, pelo menos um princípio de amor. Se isso não fosse verdade não existiria vida, pois amor é vida e vida é amor, afinal o amor é a força que integra e a falta de amor resulta em desintegração, fragmentação, esfacelamento, entropia. Mesmo na atitude violenta de um pai maldoso talvez seja possível encontrar um pouco de amor dele tentando educar o filho, de forma talvez inadequada, para não fazer algo que ele considere errado, buscando preservar assim seu filho de futuros dissabores como possivelmente ele experimentou amargamente em seu passado.


Lembrando que o Sol é amor e também a vida da pessoa, percebe-se a essa altura que a famosa frase do templo de Delfos não é tão estranha assim: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerá aos deuses e ao universo”. Ao nos colocarmos como foco de estudo, buscando nos conhecer melhor, podemos conhecer nossa porção divina e então conhecer não todos os “deuses”, mas pelo menos alguns deles, podemos assim dizer. Na proporção que temos consciência de nós mesmos, de nossa realidade profunda e essencial, descortina-se para nós a essência da vida semelhante à nossa, existente no universo. É assim que um bom terapeuta, astrólogo, iniciado ou pessoa feliz nasce, com o conhecimento de si mesmo. Quanto a isso, é mais do que enfatizado o fato de que a interpretação do Mapa Astral é a principal ferramenta para o autoconhecimento e esse é essencial para a realização e a evolução da pessoa, principalmente em termos espirituais. Descobrindo o que temos de melhor, nossa pequena porção de divindade, podemos refazer os passos de nossa adolescência, transcendendo os estímulos recebidos pela figura paterna, até porque por melhor que seja pode ter sido equivocada quanto a nós mesmos, era como nosso pai nos via (e apoiava e incentivada ou não) e não necessariamente como somos de fato.


A “saída” para o “beco da vida” se encontra dentro de nós mesmos, em nossa essência, na busca do “QUEM OU O QUÊ SOU EU”. Nessa busca devemos identificar até que ponto reproduzimos estigmas e rótulos que pais, parentes, amigos e sociedade nos impingiram, a despeito do que de fato somos. Quando chegarmos a esse ponto nos cabe não dar tanta atenção a comportamentos, pensamentos ou rótulos que trazemos do passado em nosso interior. Então, precisamos como um novo adolescente nos permitir sermos diferentes, agir de forma diferente, viver de forma diferente, valorizar o que temos de melhor e mais original em nosso interior, nos amarmos mais e melhor. Porém, isso não significa ser egoísta ou egocêntrico, pelo contrário, o verdadeiro amor busca irradiar suas qualidades para quem assim o buscar ou desejar, sem o impor. O verdadeiro amor respeita as essências alheias, principalmente se lhe são diferentes. O verdadeiro amor quer ajudar, contribuir, colaborar para melhorar a vida alheia e com isso se realiza, sente-se cada vez mais feliz. O verdadeiro amor é pura doação, como o Sol que nos banha constantemente com sua luz, calor e vida, independentemente se olhamos para ele, se reconhecemos isso ou mesmo se acreditamos nisso. É como os pais para o filho adolescente. Mas, ninguém dá o que não tem e nem se dá mais ou melhor do que se tem. Quando identificamos nosso brilho pessoal, nossa essência, nossa verdade e a valorizamos estamos alimentando essa luz que paulatinamente, pela constância e perseverança, vai aumentando seu brilho e sua força, ocupando espaço, espantando sombras, medos, inseguranças, traumas, bloqueios, etc. É assim que começamos a mudar para melhor o que recebemos dos pais: valorizando o que somos de fato e aquilo que mais nos torna felizes e realizados.


Mas, o grande salto evolutivo mesmo se dá quando decidimos pela etapa mais decisiva do amor que é a opção pela vida a dois, seja ela formal ou não, com bênção religiosa ou não. O encontro entre duas luzes, dois sóis, duas divindades, é algo mágico e poderosíssimo.


Diz-se que antigamente o Zodíaco tinha dez signos e não doze, como hoje. Mas, com a imaturidade (falta de conhecimento de si mesmo, de suas divindades) da Criatura (homem e mulher simbolizando toda a nossa humanidade) Deus então separou os casais e de um único signo regente e significando da Criatura então se fez dois, Virgem e Escorpião. O signo de Virgem regido pelo Feminino Universal, a Grande Deusa sempre imaculada, pura e jovem, representante da Criação; e o signo de Escorpião regido pelo Masculino Universal, o Grande Deus, poderoso, representante do Criador e forte. Virgem é regido por Lilith e Escorpião é regido por Plutão. Esses deuses representam o que existe de mais interior e profundo, do qual nós estamos distanciados, mas que se acessados nos conferem poder inimaginável, transformador e criador. Porém, a distância significa obscuridade e obscuridade dá medo pelo desconhecimento e isso nos afasta da verdadeira e divina Origem. Então, para ensinar harmonia e convivência colaborativa ao novo Casal Divino, de Gêmeos Espirituais, Deus criou o signo de Libra, o signo do casamento, da empatia, da concordância, da tolerância e do encontro harmônico dos princípios complementares.

Enquanto não se tem uma união estável, duradoura, verdadeira e profunda, é possível nos sintamos perfeitos, com “pequenos defeitos” apenas. Mas, quando por amor nos soltamos, nos abrimos e abraçamos uma relação séria, profunda, verdadeira, baseada no amor e na verdade, então começamos a descobrir nossas falhas, defeitos, imperfeições mais profundas. Mais que isso, descobrimos nossas limitações. E isso nos incomoda demais, principalmente porque queremos ser perfeitos para tornar a vida da pessoa amada perfeita, harmônica, pacífica, prazerosa, saudável. O incômodo com nossa imperfeição, com nossa limitação e dificuldades para poder melhorar a vida da pessoa amada motivada pelo verdadeiro amor realimenta esse amor que temos por nós mesmos e encontramos forças, soluções, ousadia e caminhos para mudarmos essencialmente, mudando assim a nós mesmos, nossas vidas e nossas possibilidades de realização. Por isso o casamento é considerado um sacramento, porque de fato ele é sagrado, não como instituição religiosa ou formal, mas sim por proporcionar o processo de fomento do fogo divino que há em nós a partir do amor que move os amantes.


Através da relação profunda, baseada no verdadeiro amor, entre duas pessoas, então pelo amor e com o amor se consegue RESSIGNIFICAR A FIGURA PATERNA, mudar esse arquétipo interior expandindo-o até os limites de nossa vontade. Então, ao invés de repetir o pai (de forma idêntica ou frontalmente oposta) nos percebemos como uma evolução dele, uma versão mais ampla, melhorada e até mesmo a realização de sua missão espiritual na Terra. E, aqui, é importante lembrar que conforme a Ciência Estelar o planeta Sol, bem como o signo de Leão e a Casa V, também representam os FILHOS. Será que queremos ser pais como nossos pais o foram ou queremos ser algo melhor? Será que queremos ter filhos assim como nós ou queremos filhos melhores, que sofram menos, que saibam mais, que avancem mais, que sejam mais felizes e prósperos? Novamente o amor motivando a evolução que partiu de si mesmo, passou pelo apoio evolutivo mútuo, chegou à família, célula mãe da sociedade e acaba desaguando nessa mesma sociedade para a qual geramos e educamos nossos filhos.


É assim que contribuímos para a formação de uma sociedade melhor, para um futuro melhor, começando por nós mesmos e trabalhando coletivamente. É com atitudes, firme decisão, autoconhecimento e principalmente muito amor é que podemos de fato mudar vidas, tanto as nossas como a de outras pessoas; é assim que podemos de fato mudar nosso futuro e nossa sociedade.


Juarez de Fausto Prestupa
Academia Ciência Estelar

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Espiritualmente precisamos crescer!

Espiritualmente precisamos crescer!

Mensagem do Solstício de Verão de 2016

É chegado o momento de nossa humanidade começar a assumir a responsabilidade por seu futuro, sua realização, sua felicidade ou mesmo o contrário disso tudo.



Aparentemente é muito bonito, incentivado e aprovado fases como: “Entrego nas mãos de Deus” ou “Deus é Fiel”. Mas, será esse comportamento adequado para nossa evolução?
É fácil e muito cômodo “Entregar nas mãos de Deus” alguma coisa, assunto ou problema. Isso é se eximir da responsabilidade de buscar solução, é fugir das consequências. Afinal, se não der certo diz-se “Foi Deus quem quis assim”. Ou seja, é uma atitude de acomodação, de aceitação e de isenção de sua responsabilidade ou compromisso com a própria vida e a solução de seus problemas pessoais.

A frase “Deus é Fiel”, que se encontra estampada em diversos veículos e locais diversos, pressupõe que “Ele não nos falta”, “Ele cuida de nós e nossos problemas”.
Colocar a possível solução de nossos problemas nas “mãos de Deus” é jogar com a sorte, ou o azar, é uma atitude imatura, digna de uma criança que confia nos pais para lhe proteger, amparar, orientar e amar. Sim, porém os pais estão fisicamente ao lado da criança, a obrigação por cuidar dos filhos é garantida em leis e a infância passa.
Nossa humanidade se acostumou demais à condição imatura e infantil de dependência espiritual de um Ser superior para resolver seus problemas. Não que esse Ser não possa existir, mas será que Ele quer que permaneçamos dependentes o resto da vida, que não cresçamos?

É natural uma criança precisar e esperar que seu pais lhe resolvam alguns problemas, mas paulatinamente os pais devem permitir que a criança aprenda a resolver seus próprios problemas. Isso faz parte de qualquer manual de educação. Se os pais fizerem o dever de casa que o professor passa para o filho esse filho nunca irá aprender e não se preparará para a vida social e profissional futura. Então, a criança que não aprende se torna uma dependente do sistema, um parasita que não contribui e que muitas vezes até prejudica a sociedade em que vive.

Encontramo-nos na adolescência da humanidade terrestre, na fase de descoberta de nosso potencial e da tomada de decisão de independência paterna, de autonomia para a vida futura e de ousadia para se aprender, mesmo que errando.
Acreditar que Deus irá resolver nossos problemas ou nos amparar é bom até certo ponto. Confere esperança, acalanto e contribui para o “pensamento positivo”, uma certa fé na conspiração da vida para que tudo siga o seu devido caminho. De fato, isso é importante, existe sim uma lógica ou inteligência superior que a tudo ordena e dirige. Mas, nosso futuro ou destino não está fechado, determinado e é inalterável. Se assim fosse não teríamos o “Livre Arbítrio”, não havia mérito evolutivo e muito menos crescimento ou desenvolvimento espiritual. Seria como uma escola que não tem provas para seus alunos.

Viver é como andar por um túnel, cada pessoa tem o seu túnel individual, com suas regras, leis, características, direção e dimensões específicas. Cada pessoa pode escolher se prefere caminhar por seu túnel pela parte de cima, de baixo, à esquerda, à direita, pelo centro, mais rápido, mais devagar, não andar, etc. Aí reside seu Livre Arbítrio e seu túnel é seu caminho irrefutável. Podemos aprender lições alegremente, ouvindo os mais experientes e sábios, ou aprender sofrendo, ou, ainda, não aprender lição alguma e seguir sofrendo pela vida e imaturamente sempre jogando a culpa ou responsabilidade nos outros.

Aleister Crowley disse ter recebido a instrução do Anjo Aiwass de que o tempo de Osíris havia terminado e que agora é tempo de Hórus. Osíris é o deus egípcio que reina no Mundo dos Mortos e Hórus é seu filho com Isis que vivia entre o seu povo. Hórus era o representante de Osíris no mundo “físico” da mitologia egípcia, enquanto que Osíris era o representante sutil do Deus Imanifesto “Rá” (que por sua vez era o representante do Deus Incognoscível “Aton”).
Ou seja, a mensagem subliminar é de que o “Filho de Deus” é quem deve reinar em seu plano e realidade a partir de agora. É chegado o momento de nos assumirmos como verdadeiros filhos de Deus, assumirmos nossa parcela de divindade e, principalmente, nossa responsabilidade para com o futuro tanto nosso quanto das demais pessoas que nos cercam.

Muitos esoteristas esperam receber a Luz do Pai, que um extraterrestre venha resolver os problemas pessoais ou coletivos da humanidade ou mesmo que um gnomo ou um feitiço ou simpatia façam facilmente o que eles querem. Mas, essa é uma atitude de dependência, de imaturidade e que não contribui com a evolução, tanto individual quanto coletiva.

Vemos regularmente em redes sociais como o Facebook postagens com frases como “diga amém e você verá o que acontece”, “compartilhe e sua vida irá mudar”, “acredite em Jesus que ele resolverá seus problemas”, ou coisas do gênero. Isso é inóquo e esse tipo de postagem só contribui para manter as pessoas iludidas, usando a boa vontade e a fé delas, explorando sua esperança e ao mesmo tempo sua passividade.

Os mestres, ascencionados ou não, não resolverão nossos problemas; os anjos ou orixás, não resolverão nossos problemas; os elementais e elementares não resolverão nossos problemas; a fé, o pensamento positivo ou a confiança em outrem não resolverão nossos problemas.
Precisamos urgentemente mudar esse quadro. Precisamos crescer, assumir nossos destinos em nossas mãos, tornarmo-nos protagonistas de nossas vidas, de nosso sucesso, de nossa realização. Precisamos ampliar nossa consciência sobre nós mesmos, nossa condição humana, nossas capacidades e limites e assim contribuir com a evolução de toda a humanidade.

É chegada a hora do Filho se manifestar em nós, de nossa espiritualidade parar de mendigar proteção, soluções e facilidades e se voltar para nossas missões. E, o “Filho”, não é algo diferente de nós, algo alheio e estranho, mas sim nossa única e verdadeira essência, aquilo que nos torna únicos, originais e com um sentido ou razão peculiar de viver, de estar aqui e agora.

Precisamos acordar para a realidade de que somos divinos sim e ao mesmo tempo humanos, uma característica original em todo o universo conhecido. Se o nosso corpo físico nos limita, nosso espírito nos liberta; se nosso corpo físico nos propicia estremos prazer com as coisas da matéria, nosso espírito nos regozija com experiências divinas e transcendentais.

Nossa humanidade está sendo convidada e esperada para participar consciente e ativamente na comunidade cósmica estelar. Assim como jovens adolescentes que são convidados a sair de suas casas e vizinhança para ir a bailes, a eventos ou viagens distantes, precisamos ousar crescer, assumir riscos e olhar para a frente e para o alto, acreditar em nós mesmos. Somente assim poderemos conhecer novos povos, novas culturas e novas formas de vida e de espiritualidade. Enquanto nos mantivermos nas barras da saia do papai e da mamãe, jamais desfrutaremos das experiências de uma outra realidade.

Ousemos caminhar com os próprios pés, ousemos assumir a responsabilidade de nossa realização e felicidade, deixemos de outorgar a outros a solução de nossos problemas.

Assumamos as nossas vidas e nossas missões!


Cumpramos e façamos cumprir a vontade do Pai aqui nesse plano e planeta, afinal, está na hora de assumirmos Seu legado, nossa Herança Divina.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Desenvolvimento Individual e a Astrologia



O Desenvolvimento Individual e a Astrologia


Mensagem de Beltane de 2016




Como reflexo conhecido e utilizado das Leis Cósmicas Universais Eternas e Imutáveis a Astrologia, mais do que qualquer outro tipo de conhecimento, nos evidencia de forma clara e objetiva as etapas evolutivas que podemos seguir, se assim o quisermos, pois, a liberdade de escolha é sempre respeitada.



Antigamente o desenvolvimento ou a evolução era conhecido como “iniciação”. Iniciação é um processo interno, cognitivo, de aprendizado da alma. Pressupõe compreensão plena de uma vivência e a captação da essência do ocorrido ou experimentado. É algo totalmente pessoal, intransferível, inesquecível e profundo. É algo que se assemelha com o se aprender a nadar, a andar de bicicleta, a dar “ponto” em doces, etc.




No universo místico e esotérico muito se fala, lê ou se estuda acerca das iniciações, mas sempre de forma subjetiva e não personalizada. Não se tinha, até o presente momento, nenhuma informação que pudesse lançar luz sobre o processo iniciático de cada indivíduo. Não se sabia claramente, não sem o concurso de algum mestre verdadeiro, de como pode ser o caminho iniciático, passo a passo, do ousado peregrino. Bem, a seguir temos as primeiras instruções sobre como podemos melhor saber acerca do caminho evolutivo individual através do estudo e conhecimento do Mapa Astral (individual) de cada pessoa.


Os grandes agentes da ação sideral, cósmica, estelar ou astrológicos são os Planetas. Então é sobre eles e sua simbologia que iremos nos debruçar nessa ocasião.




Os planetas em um Mapa Astral representam tanto atributos externas quanto internas. O processo iniciático se caracteriza pela interiorização de experiências, compreensões e, principalmente, consciência sobre um determinado fato ou realidade. Ou seja, o processo iniciático parte de experiências externas, materiais e concretas para a interiorização da consciência, da essência, do melhor que pode abstrair da experiência material e externa.


Tudo o que cada Planeta astrológico representa, pode e deve ser absorvido na forma de consciência, de sabedoria, de compreensão da vida, da existência, da Criação, ou seja, na forma de Deus Manifesto. Assim, a iniciação é uma forma de se “apoderar” da Luz Divina que está espalhada pela Criação, absorvendo-a para dentro de nossa alma. Assim a alma é gradualmente iluminada, iniciando pela expansão da consciência, também conhecida como “despertar da consciência” e podendo chegar à iluminação em si. O processo de despertar da consciência é paulatino e depende do esforço, vontade, coragem e opção do indivíduo que pode parar o processo onde bem entender. A iluminação em si é passar a irradiar o acúmulo de luz ou consciência cósmica que se tem dentro da alma. É um processo semelhante ao da explosão de uma grande massa cósmica resultando em uma estrela ou sol. Ou seja, é um processo crístico, verdadeiramente crístico. Mas, essa é a culminância de todo um processo. 




Voltemos então à iniciação planetária.

O processo iniciático é um processo de “maturação” que se pode dizer semelhante ao processo cognitivo (de aprendizado psicológico). Não existe evolução espiritual, esotérica ou espiritual face ao desequilíbrio psicológico. É um processo, como já dito, de compreensão das verdades através da experiência obtida em eventos ou fatos ocorridos. Quando obtemos esta consciência ou iniciação então passa-se para o processou ou planeta seguinte. Enquanto aquela consciência, relativa à uma determinada experiência não é adquirida, a “mensagem” ou “lição” continua a se repetir na forma de eventos indefinidamente, até que um dia seja absorvida, compreendida. Essa é a razão da reencarnação e do esquecimento das vidas passadas, precisamos nos permitir a ter novas experiências diferentes à que tivemos no passado para ver se conseguimos aprender de uma vez por todas as lições nas quais não obtivemos sucesso. Se nos lembrássemos das repetidas falhas e frustrações certamente desistiríamos e jamais avançaríamos rumo à Perfeição.


Existe uma lógica ou sequencia específica das iniciações planetárias ou astrológicas. As situações dos planetas em nossos Mapas Astrais nos indicam o quê, como e em que áreas de nossas vidas as provas iniciáticas ocorrerão e quais podem ser as “premiações” por suplantarmos essas provas ou adquirirmos essas consciências. 


No momento, não é nosso objetivo adentrarmos em detalhes de como ou onde as provas ocorrerão na vida de cada pessoa. Iremos nos concentrar apenas nas provas em si, assinaladas pelos Planetas. Aqueles mais versados na arte e ciência das estrelas poderão abstrair e chegar às próprias conclusões acerca de como, áreas da vida e “premiações” assinaladas por cada Planeta em si.


Ao nascermos iniciamos a vida já em plena “prova” da Lua. Somente absorvendo psiquicamente os mistérios lunares é que avançamos para o próximo conhecimento ou consciência que é a mercurial. Em seguida vem a venusiana, depois a solar, logo após a marciana, depois a jupteriana e finalmente a saturnina. Isso para as pessoas “comuns”. Existem ainda as provas ou consciências para pessoas auto eleitas que em razão de um esforço super-humano, hercúleo, e digno de verdadeiros avatares, seguem para as consciências de Uranus, Netuno e definitivamente Plutão. 


As iniciações não guardam relação com a situação externa e material de uma pessoa. Ou seja, olhando seus atributos e conquistas físicas não é possível se saber em que nível psíquico ou espiritual iniciaticamente a pessoa se encontra. Isso porque a pessoa nunca está sozinha, tem família, amigos, etc. Estes “vetores” externos podem mascarar a realidade interna de uma pessoa. É claro que aos olhos de uma pessoa evoluída e já detentora de níveis de consciência superiores a verdade se desmascara e se mostra em toda a sua realidade miserável, mesmo que maquiada externamente com muita purpurina, ouro ou brilhantes.



A iniciação da Lua nos remete ao mistério de nossa integração ao mundo físico e psíquico desse planeta Terra. Seu “desafio” é aceitarmos o peso e a limitação da existência física e material. Por outro lado, também traz consigo uma profunda dependência, carência e necessidade de apoio, integração, envolvimento e acolhimento. Para um ser pleno, livre e “maduro” isso pode significar um verdadeiro martírio. O mistério lunar é o da união das almas, principalmente com a alma da mãe e a partir dessa experiência saber como fazê-lo posteriormente com outras almas mais próximas. A vida focada única e exclusivamente na relação simbiótica, física e psicologicamente, do bebê com sua mãe é muito agradável, confortável e sedutora. Na verdade, mais provavelmente essa “relação” se dá apenas e exclusivamente, para sua própria consciência, em seu universo psíquico, em seu mundo subjetivo, apenas. Submerso no mundo lunar a mãe para o bebê é apenas um sonho, uma fantasia, algo interno a si mesmo, algo de seu interior apenas e que por “mágica” gera efeitos externos. Para o ser submerso no mundo lunar é só desejar, sonhar, e as coisas acontecem. Mas, para seguirmos avante, no sentido de sentir e compreender as carências e necessidades alheias, precisamos abrir mão, pelo menos em alguns momentos, de nossas próprias carências e necessidades, precisamos dar atenção à alma da mãe e de outras pessoas queridas. Obviamente o desdobrar desse tipo de “atitude” do ser que ora é um bebê é a vontade de contribuir para satisfazer as necessidades e carências da mãe ou pessoa querida.



A iniciação de Mercúrio nos remete à ousadia de abrir mão do conforto do colo materno, da dependência para nos lançarmos na aventura da descoberta do mundo circundante, de deixarmos o conforto do mundo mágico para conhecer outra realidade, de deixar de viver totalmente no mundo interior para começar a explorar o exterior. Essa iniciação ou processo abre os horizontes evidenciando descobertas acerca da existência de outras pessoas da família, de cores, de formas, de sons, de possibilidades, de coisas que agradam e coisas que desagradam. A nova vida multicor e multiforme é um delírio e um deleite à volta da criança que o entretém, diverte e também amedronta. Tudo é novidade, tudo é divertido, tudo é interessante. Percebe-se que “valeu a pena” passar a etapa lunar e mergulhar na mercurial. Agora sim, a vontade de se saber mais e melhor acerca das necessidades da mãe e outras pessoas está melhor “ferramentada” ou mais fácil, agora se pode contar com a visão, o tato, o olfato, o paladar e a audição de forma mais efetiva, mais profunda, mais plena. E, é tão “legal”, bacana, ver as coisas girando à volta, entretendo, trazendo sempre novidades, surpresas e brincadeiras que é difícil querer mudar a situação. O mundo todo parece girar à volta, sempre trazendo coisas diferentes, estranhas e interessantes. Àquele que ousa seguir seu impulso de se relacionar, interagir em um nível mais profundo e real, precisa sair de sua posição de expectador para se tornar observador. O expectador é passivo, o observador é ativo no sentido que existe uma intenção, uma vontade se de observar algo em especial e de se absorver mais e melhor sobre aquilo que é seu foco de atenção. Então, em um ato de ousadia deixa-se a posição passiva de apenas se ver o que acontece e passa-se a interagir com o que acontece, experimentando modificar o que está acontecendo, contribuindo com as inovações, as variações. Desenvolve-se então o interesse por se conhecer mais e melhor sobre aquilo que interessa e chama a atenção, que agrada ou desagrada. Se você está lendo isso é porque no mínimo está ou já passou pela iniciação de Mercúrio. Esse interesse pode desaguar na vontade de se perpetuar, de se conservar aquilo que nos é interessante e agradável, fazendo germinar na alma o princípio do processo venusiano.


A idade cronológica de uma pessoa não guarda relação direta com a fase, período ou processo de desenvolvimento ou iniciático dela. É óbvio que não há como um bebê estar em fases avançadas, mas é muito possível que pessoas de idade avançada não tenham aproveitado suas experiências e permaneçam em fases iniciáticas ou de desenvolvimento mais iniciais. Assim, aparentemente muitas pessoas, talvez a grande maioria, a despeito da idade que tenham, estão na fase venusiana. Vejamos então as características do processo venusiano.



A etapa venusiana de desenvolvimento se inicia com o desejo de posse, de se apoderar daquilo que seja fonte de prazer, alegria, satisfação e segurança para a pessoa. Mais do que isso, é o afloramento do sentimento da necessidade de posse daquilo que signifique a manutenção da vida do indivíduo. É por isso que pessoas que estão nessa fase e veem sua empresa falir (fonte de renda) ou a pessoa amada (que lhe dá segurança e prazer) se esvaírem de suas mãos e controle perdem a cabeça e cometem insanidades. É porque sentem que podem morrer, que se perdeu a razão da existência e até mesmo da vida. Vênus é a senhora da plenitude da satisfação dos sentidos e por isso mesmo é a que gera maior apego material. Porém, em sua fase inicial o que existe é muito egoísmo e imaturidade, considerando a “coisa” fonte de prazer, segurança, satisfação, alegria e relaxamento como sendo algo inanimado, sem personalidade ou vontade própria, que existe somente para satisfazer suas necessidades e de mais ninguém. Ou seja, não se considera a vida da própria “fonte” em si e nem que outras pessoas também podem precisar ou depender dela. O dinheiro, uma das regências de Vênus, é um exemplo interessante do processo sinérgico que ocorre na Economia. Se hipoteticamente uns poucos conseguirem concentrar totalmente a maioria do dinheiro, retirando-o de circulação, então ninguém pagaria conta alguma ou compraria coisa alguma e todo o dinheiro guardado perderia imediatamente seu valor, pois nada valeria mais. A mesma coisa ocorre com o sexo, outra regência de Vênus. Escravizar uma pessoa sexualmente, desconsiderando seus desejos, anseios, necessidades e valores fará fatalmente que o prazer vá se desvanecendo e ao mesmo tempo aumentando ainda mais a insegurança e necessidade de satisfação das necessidades do tirano. E, aí é que está o grande desafio desta iniciação, romper com o egoísmo percebendo-se que assim como cada um de nós deseja, necessita e gosta de ter prazer, alegria, segurança, etc. outras pessoas também sentem a mesma coisa. E, mais ainda, que a fonte dessas nossas satisfações possivelmente tenha vida e também tenha lá seus próprios desejos, necessidades e interesses. A não evolução venusiana leva à condição de despotismo, de ser um “sanguessuga”, de tirania, de retirar recursos, inclusive econômicos, de outras pessoas em um afã insaciável de concentração, controle e posse de “fontes” de prazer, alegria, satisfação, segurança, conforto, etc. Então, ao se perceber que se pode ser fonte de satisfações, sem que isso lhe prejudique e, ainda, também ter algum tipo de prazer ou satisfação com isso, surge então o desejo de se “aventurar” nesse sentido, nessa direção. Perceba-se que o processo segue o caminho do exterior para o interior, da passividade para a atividade, do objetivo para o subjetivo. A evolução venusiana nos proporciona prazer ao dar prazer, alegria ao perceber que fazemos alegres quem gostamos, que o apoio mútuo é justo e mais adequado, porque o contrário é um processo tipicamente parasita e que não se sustenta se não houver um constante aporte de energia, esforço e vontade concentrada. Então, a atitude muda para exemplos de solidariedade, de filantropia, com investimentos que possam proporcionar satisfação, prazer, segurança e alegria em outras pessoas. Quando deixamos de olhar somente para nós, para nossas necessidades e olhamos para a vida que existe à nossa volta então percebe-se com maior clareza a possibilidade de ser uma fonte, uma verdadeira fonte e que isso é algo superior e mais importante ou interessante, trazendo sentido e razão à existência individual podendo elevá-la a um patamar muito acima das pessoas comuns que só veem suas próprias necessidades.

O processo solar se inicia ao se perceber uma pessoa especial, diferente e acima do normal, que tem coisas que para as outras pessoas são muito importantes. Mais que isso, o processo solar pressupõe a irradiação, o compartilhar de pelo menos parte do que se tem de melhor. Essa é a iniciação dos grandes líderes da humanidade. Isso atrai outras pessoas destacando e projetando a pessoa “fonte”. O resultado disso é que o indivíduo tende a se sentir o centro do mundo, podendo se confundir com “A Fonte”, achando-se a única, melhor e possível fonte disponível para os miseráveis que lhe necessitam. Pode ocorrer que sem desenvolvimento a pessoa nesse estágio vá liberando sua irradiação “à conta-gotas”, somente o suficiente para deixar as demais pessoas dependentes daquilo que detém, explorando essa dependência e estabelecendo uma relação de indignidade para quem lhe cerca, arrancando essa dignidade alheia para si. Dessa forma a falta de consciência nesse estágio gera os tiranos, os déspotas, os manipuladores e autocratas de todos os tipos. O grande problema aqui é a ilusão de ser muito especial, pois a realidade é que de fato a pessoa tem algo especial, além do normal, mas isso não significa que seja a única e sua especialidade seja perfeita ou mesmo que possa resolver todo tipo de necessidade ou problema. A falta de consciência aqui leva a pessoa a não considerar a possibilidade de que possa haver outras fontes que além de também poderem satisfazer as necessidades, de completar as vidas das outras pessoas, ainda possam ser diferentes e talvez até mesmo melhores do que si. Isso cria um isolamento ou distanciamento da verdade, da justiça e do verdadeiro conceito de compartilhamento do que se tem de melhor. O problema aqui tanto é coletivo, no sentido de uma “fonte” falha, parcial, controladora e injusta, quanto individual, pois a “fonte” perde sua razão de ser, deixa de ser fonte para ser uma armadilha que atrai, seduz, envolve, prende, sufoca, suga, subjuga e mata. Mais ainda, cai na grave ilusão de se acreditar mesmo como “fonte” especialíssima, distancia-se de sua verdade e realidade interior, passando a acreditar em sua própria mentira. Assim, distancia-se de sua fagulha divina, do verdadeiro amor, da verdadeira e possível realização e vida e de sua verdadeira razão de existência. Passa então a depender da manutenção de sua mentira, da falsidade de sua fonte e dos atraídos para se sentir caminhando para a realização, coisa que nunca acontecerá. Estabelece-se uma relação simbiótica que prende o controlador ao controlado, o manipulador ao manipulado, de forma que um não viva sem o outro. Essa é a grande prova ou desafio a se vencer. Obviamente, para se vencer essa ilusão imatura de personalização do poder ou “divindade” há que se perceber que não se é pleno, feliz ou realizado escravizando ninguém, sugando ninguém, humilhando ninguém, ou seja, não se é realizado à base da infelicidade ou degradação alheia. Pois, a degradação, a infelicidade nada mais são do que o inverso do que se propôs inicialmente, que ao invés de se irradiar absorveu-se vida, realização, saúde, poder, amor, etc. Para se vencer as limitações, a fonte radiosa precisa se despir de sua vaidade, descer do trono, abdicar de seus atributos de poder e influência. Mais que isso, deverá chegar à compreensão que como ele mesmo chegou à condição de fonte independente poderá ensinar as pessoas, antes seus discípulos, alunos ou dependentes, também possam acender suas chamas internas, descobrirem o que têm de melhor para poder compartilhar com as outras pessoas. Então, a antes “Fonte” passa a ser um agente promotor e fomentador de fontes de poder, força, amor, justiça, verdade e vida, ingressando-se na iniciação de Marte. 



O desenvolvimento marciano é marcado pelo levantar de uma bandeira específica, de um conhecimento ou uma verdade, um caminho, que se descobriu e que se acredita ser positivo para a sociedade e que se deva partilhar com todos. Essa é a iniciação dos grandes empreendedores da humanidade. Mais que isso, um conhecimento ou experiência que todos deveriam adquirir ou passar para melhorar suas vidas. É quando se muda de vida, abre-se mão de valores, poder e status por um caminho diferente e nem sempre aprovado pela sociedade. Com coragem, destemor, muita motivação e franqueza lança-se então à sincera obra da construção de uma realidade ou sociedade melhor para todos, baseada nas consciências próprias adquiridas em suas experiências pessoais. Existe então a disposição de se abordar e defender de forma aberta e objetiva seus pontos de vista, uma vontade de convencer os outros que o que se propõe é algo viável e bom para a vida de todos. Luta-se então para divulgar a ideia, conquistar espaços para essa ideia, para estimular pessoas a adotar para si esse caminho ou conhecimento, visando a melhoria de sua vida e de outras pessoas que serão beneficiadas com as novas “fontes” que se formam. Nesse caminho depara-se com resistências diversas, visto que todo espaço está ocupado, todas as áreas possíveis já estão devidamente “loteadas” e para se abrir espaço para a novidade incomoda-se o que já está instalado e que domina um espaço. As adversidades, as resistências e as reações tendem a fazer com que o novo guerreiro da verdade e da justiça recrudesça seus métodos que se inicialmente eram gentis e simpáticas, passam a ser mais agressivas, defensivas, violentas, inflexíveis e radicais. Afinal, o adversário se tornou inimigo de sua ideia e, principalmente, da possibilidade de melhoria de vida de muitas outras pessoas! O novo guerreiro se vê obrigado a travar uma guerra para após sua vitória então poder instalar a paz e a harmonia como julga ser correto, adequado e melhor para todos. Bem, é exatamente aí que se encontra o grande teste, prova ou desafio da iniciação de Marte: compreender que se deve respeitar os valores, conceitos, princípios, ritmo, direção, velocidade e opção das pessoas. Deve-se perceber que o caminho que para si é melhor pode não o ser para os demais, mesmo sendo, se deve respeitar a opção da pessoa seguir ou não e, ainda, se decidir seguir, quando e como a pessoa assim o quiser. Ou seja, para se avançar é necessário se adquirir a consciência de que a verdadeira e melhor contribuição não se dá como um conquistador, um impositor, um adversário de seja lá o que for. Ao contrário, se deve sim agir conforme seu conhecimento, mas sempre quando possível, solicitado e propício para outras pessoas. Ou seja, ou invés de se querer convencer quem quer que seja, estar sempre disponível para quem quiser, pedir e necessitar de sua ajuda, conforme seus métodos e conhecimentos e experiência, na proporção e ritmo solicitado, jamais avançando os limites das outras pessoas. Percebe-se então que a melhor forma de se propagar sua verdade solar é sendo um exemplo vivo dela, uma referência que grita em seu silêncio e que convence na prática demonstrada com convicção, constância e tranquilidade. Atingida essa consciência se inicia um novo processo de grande mudança de visão de vida, pois percebe-se que o sentido da vida de uma pessoa transcende sua própria vida e que sua felicidade depende da felicidade de outras pessoas. 



Adentra-se então ao processo jupiteriano de desenvolvimento pessoal, quando se dispõe franca e abertamente a contribuir com a felicidade, a saúde, a felicidade e a prosperidade dos demais, espalhando conselhos, orientações, ajudas, proteção e sabedoria. Essa é a iniciação dos grandes mestres da humanidade. Nessa fase há uma identificação com segmentos da sociedade, com ideais, propostas, caminhos, conceitos, etc. O caminhar então passa a ser coletivo e ganha uma aura nobre, de valor elevado, que visa beneficiar grandes grupos de pessoas, que visa o bem comum, etc. A prova ou desafio aqui reside justamente na ideia de que seu grupo de pessoas, pelas ideias ou propostas é melhor do que os demais, é superior e por isso pode ter mais direito. As consequências são os julgamentos tendenciosos e preconceituosos, perdendo-se a visão da verdade, perdendo-se a imparcialidade da justiça e havendo complacência apenas com seus pares ao passo que para quem não segue seu caminho aplica-se a severidade rígida e inflexível. Então a proposta inicial de se contribuir com a felicidade alheia se perde, se desvia e se limita. Trai-se a ideia inicial de ser um facilitador da felicidade alheia pela felicidade de ajudar e prosperar ou se divertir apenas e exclusivamente com quem lhe aprova e caminha ao seu lado, no mesmo rumo, sentido, ritmo e dentro dos mesmos valores e conceitos. Já não se objetiva a felicidade geral em si, mas apenas o benefício comum a seu próprio grupo exclusivo e fechado. A evolução ou desenvolvimento se obtém ao se aceitar e se compreender que existem outras possíveis “fontes irradiantes” que são tão boas quanto si mesmo ou seu grupo e talvez até melhores, que também podem contribuir com as demais pessoas no sentido de levar realização, soluções, felicidades, amor, justiça, plenitude, etc. 



O desenvolvimento ou iniciação saturninos levam a se colocar os interesses e destinos das pessoas acima dos individuais que nada mais representam. Esse é um caminho para poucos auto escolhidos, para verdadeiros avatares. É uma fase de total e absoluta abnegação de si mesmo, de seus conceitos pessoais e posicionamento individual para se tornar um sustentáculo de toda a sociedade com suas imperfeições, variedade, oscilações, conflitos, alegrias, tristezas, belezas e horrores. O indivíduo deixou de viver para si quando adentrou a iniciação de Júpiter e agora deixa de viver para apenas um grupo específico para existir para o Todo. A questão aqui não é uma ideia, proposta ou caminho, mas sim todo o futuro ou mesmo a eternidade da humanidade e sua evolução ou desenvolvimento além do tempo e do espaço. Trata-se da perpetuação da espécie e seu contínuo caminhar rumo à Perfeição. A possibilidade da autodestruição existe com a consequente aniquilação da espécie. Então o medo de um futuro sombrio e catastrófico pode paralisar, pode se pensar que a imposição de um governo geral autocrático seja algo justificável e necessário. Afinal as pessoas que não chegaram a esse patamar, que são a grande maioria, não pensam e nem suspeitam das consequências de suas ações desequilibradas e desequilibrantes. Os humanos parecem crianças irresponsáveis, inconsequentes, levianas e autodestrutivas. Talvez essa seja uma solução que se deva chegar no futuro para a preservação da espécie. Mas, esse tipo de imposição congela o desenvolvimento, estanca a evolução e paralisa o progresso, fazendo com que tudo funcione de forma mecânica, automática, autômata, despersonalizada e fria. Novamente isso acontecendo trair-se-ia a proposta inicial que era garantir a perpetuação tanto da espécie quanto de seu processo evolutivo. 



O impasse entre a garantia da perpetuação da espécie com liberdade evolutiva pode ser solucionado com a iniciação de Uranus. Mas, para se chegar a ela se faz necessário que as pessoas, coletivamente, assimilem em suas almas a noção de responsabilidade, de se assumir as consequências, de se pensar nos desdobramentos antes de se tomar qualquer atitude. Há que se atingir a condição de ser responsável com o todo e não somente de seu próprio umbigo, grupo ou propostas. Cada indivíduo deve se sentir responsável por todo tipo de existência, tanto de um verme quanto de um ser humano, tanto de uma pedra quanto das conquistas científicas, tanto de um vegetal quanto do equilíbrio da natureza como um todo. Então, eleva-se os olhos para o céu e nossa humanidade passa a aprender com outras humanidades do espaço sideral. A principal lição é compreender as Leis Cósmicas Universais que tudo organizam de forma harmônica e segura, sem, contudo, restringir a liberdade e, principalmente a evolução. Ao se compreender as Leis Cósmicas o ser passa a ser partícipe, elemento atuante, ativo, no mecanismo cósmico da Criação, agindo conscientemente ao lado de outros semelhantes, conforme um Projeto Superior, de uma Inteligência ou Mente Cósmica Transcendente. Evolutiva e esotericamente talvez esse nível de consciência seja aquele no qual se “trabalhe” conscientemente juntamente com os chamados 72 Anjos Cabalísticos do Cinturão Zodiacal.



Assim como a órbita de Netuno se alterna com a Uranus, também o processo iniciático netuniano possa ser concomitante ou não, anterior ou posterior. Porém, ambos são bem distintos e complementares. Uranus é relativo ao Mental Superior e Netuno é relativo à Consciência Transcendental ou Búdica. Uranus nos proporciona o conhecimento e compreensão de todo o mecanismo da Criação, até mesmo da função e funcionamento de sua mais minúscula engrenagem. Netuno oferece a oportunidade de se “sentir” a realidade e a vida desde o interior de tudo que foi criado. Com Uranus olhamos de fora e de cima, com Netuno olhamos de dentro e por baixo. Com Uranus entendemos e compreendemos todo o mecanismo celeste, com Netuno nós o sentimos em movimento e vivo, pulsante. Uranos nos dá a percepção das peças e Netuno nos dá a percepção do conjunto completo. Uranus e Netuno proporcionam a co-participação na Criação, o indivíduo experimenta o Todo.


Todo o processo evolutivo, iniciático ou de desenvolvimento é opcional, jamais imposto ou obrigatório.



O processo de Plutão é radical e extremo. Nele abdica-se total e absolutamente da individuação, deixa-se voluntariamente a parte para se perder no Todo. Plutão rege o mistério da Vida e/ou da Morte. O grande desafio aqui, mas grande mesmo, é se dispor a passar por uma profunda transformação que se assemelha à uma verdadeira morte pessoal. Acreditamos que não temos apegos, mas quem está pronto para perder (o sentimento é de perda total e definitiva) seus entes queridos, alguns de seus bens conquistados com muito esforço ou mesmo suas ideias, conceitos ou teorias mais elaboradas e arduamente aprendidas ou desenvolvidas? A sensação é de uma verdadeira morte e desapego obrigatório ou mesmo forçado. Mais do que isso, é jogar-se no vazio desconhecido, no Nada Absoluto, é deixar voluntariamente o universo conhecido e cheio de referências, apoios e certezas. Após esse processo não existirão mais, não se sentirão mais, qualquer tipo de vínculo ou laço com pessoas, ideias, conceitos ou locais, sejam de natureza física, emocional, mental ou mesmo espiritual (principalmente cármico). Isso porque esse processo culmina na consciência cósmica, divina, crística. Plutão proporciona o acesso ao verdadeiro poder que é exercido exclusivamente conforme a Vontade de Deus. A culminância dessa evolução é o retorno definitivo ao Absoluto Incognoscível, pelo caminho de Ain Soph Aour. 


Com uma autorreflexão profunda e sincera podemos descobrir em que fase de desenvolvimento ou iniciação pela própria via nos encontramos. É certo que essas iniciações ocorrem também como ciclos menores dentro de ciclos maiores. Exemplo: dentro do processo venusiano existe toda a sequência desde a lunar (inicial) até a plutoniana. Somente se passa para uma iniciação seguinte após e somente após de se cumprir com todas as subiniciações. O fato de ciclos menores dentro de ciclos maiores pode levar a confusões e equívocos. Por isso o interessado deve se revestir de muita concentração, sinceridade e dedicação para conseguir descobrir as verdades que lhe aguardam em termos iniciáticos ou de desenvolvimento pessoal. Após isso poderá analisar se há disposição e preparo para seguir as etapas seguintes, ou não, se deseja de fato evoluir, caminhar rumo à divindade ou não.


Como dito no início desse longo texto, aqui analisamos apenas o “o quê” que os planetas representam em termos iniciáticos. Pode-se analisar o “como” esse “o quê” ocorre observando-se o signo onde o planeta analisado se encontra no Mapa Astral da pessoa. E, ainda, “onde” em termos de setor de vida que tende a ocorrer o processo iniciático indicado pelo planeta em questão. É evidente que os aspectos planetários interferem e contribuem para diferenciar cada situação, bem como a retrogradação ou não dos planetas.


Obviamente o que aqui está escrito é apenas uma parte que foi possível “traduzir” da mensagem psíquica recebida como orientação por ocasião das festividades de Beltane em 2016. Pode-se dizer que o que aqui está exposto retrata talvez algo em torno de 10% ou menos do que esse ensinamento de fato significa. Depende de você leitor aproveitar essas “dicas” que assinalam ideias ou caminhos para se aprofundar no ensinamento e compreender de fato as verdades indicadas na forma de palavras. 

Para os corajosos aventureiros desejo sucesso, coragem e força.


Cumpri minha "pequena" missão, recebi, me esforcei para escrever da melhor forma possível a retratar mais fielmente o que foi me passado e transmito para que todos pela Internet, além do tempo e do espaço que possa nos separar, tenham acesso à informação.



Fraternalmente,



Juarez de Fausto Prestupa

Academia Ciência Estelar